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terça-feira, 30 de abril de 2013

ILÉ ÀSE EKÙNDÉYI BREVE

Pessoal,

Para os que conhecem minha tragetória religiosa, sabem o quanto sonhei com dia em me tornar sacerdote de Òrìsà, onde o Batuque me escolheu há 15 anos atrás, e de lá para cá venho aprendendo cada dia, podendo agora quem sabe, estar maduro para desempenhar o cargo de zelador de Orixá!!!!
Agradeço a todos aqueles que sempre torceram por mim e desde já informo que em Maio estará sendo inaugurado o Ilé Àse Ekùndéyi !!!
Dando a informação do nosso nome tomo o espaço para informar:


Ilé Àṣẹ Ẹkùndéyi
Tradição de Òrìṣà no Batuque



ORIGEM DO NOME



Ilé Àse Ekùndéyi: Casa de Axé Leopardo que chega a um destino com força.
Segundo Adésolá Olátéjú (2005, p. 368-383), as qualidades que formam o caráter do Leopardo na crença Yorùbá[1] são: FORÇA, FEROCIDADE, OUSADIA e INTELIGÊNCIA!

O leopardo é considerado pelos povos Yorùbá um animal sagrado, e foi domesticado no reinado de Aganjú em Òyó como prova de sua coragem e ousadia.

Nosso Ilé pratica os rituais de Òrìsà através do Batuque do Rio Grande do Sul, onde nossa raiz religiosa chama-se “Kanbínà”.

Sem modificar nada dos rituais herdados da nossa religião afrodescendente, conseguimos “resgatar” e “entender” o que cultuamos dentro do nosso Ilé, onde podemos citar alguns trabalhos de pesquisas e práticas feitas por nós ao longo dos anos:

1. O porquê de não rasparmos a cabeça e não usarmos o Adósù em nossas iniciações ritualísticas;

2. O uso do idioma tradicional Yorùbá;

3. A criação do nome de iniciado no nosso Àse;

4. Algumas particularidades de culto aos Òrìsà Aláààbò (Protetores da casa): Olóde, Avagã, Èsù Dí Burukú, Légbaa, Kamuká, T’igbówà, entre outros;

5. Particularidades do culto “individual” e “coletivo” de Éégún e o real significado do Arísùn;

6. Uso das folhas e plantas regionais para banhos, defumações, unguentos e pós, através da classificação: “Plantas de quebra” e “plantas que apaziguam”, não generalizando tudo como “omierò”;

7. Culto a Orí através do Eborí separado da iniciação do Òrìsà;

8. Significado dos nomes dos caminhos de Òrìsà cultuados em nossa raiz religiosa;

9. Consulta aos Búzios da maneira tradicional do Batuque e também o conhecimento da “metodologia de consulta através do Odù e amarração por Ibo, conhecida como mérindínlógún”;

10. Entendimento do significado da “Mesa de Ìbejì”



VISÃO



Ser reconhecido como um templo que procura estudar as práticas rituais, através do realinhamento filosófico e cultural com a religião tradicional Yorùbá, sem mudar a cultura afrodescendente do Batuque.



MISSÃO



Tornar o culto do Batuque reconhecido mundialmente como uma religião afrodescendente que conseguiu preservar rituais ainda tradicionais para os povos Yorùbá.



VALORES

Ética;

Coletivismo;

Desenvolvimento e valorização das pessoas do Ilé através do estudo;

Transparência;

Comprometimento com as pessoas;

Responsabilidade Socioambiental.



OUTRAS PRÁTICAS RITUAIS DO ILÉ



Nosso Ilé também pratica os Rituais de Umbanda baixo nome “Tenda de Umbanda: Caminhos da Verdade” através da regência do Caboclo Xangô das Matas.

Praticamos também a Kimbanda separada da Umbanda e Batuque, através do culto aos 7 Reinos (Encruzilhada, Cruzeiro, Matas, Cemitério, Almas, Lira e Mar) baixo nome do templo Nzo Kimbanda Mukuá-ndele (Casa de Quimbanda Senhor das Almas), esta regida pelo Exú Tranca Rua das almas com assentamento de sua Nganga.




O SACERDOTE DO ILÉ



O sacerdote do Ilé Rudinei O. Borba, cujo nome religioso é Mógbà (Limpo para receber) foi iniciado no lado religioso de “Kanbínà” para Sàngó Aganjú através de sua mãe carnal Vera de Bara Ijelú há 15 anos, a qual lhe entregará seus Àse para sacerdócio em Maio de 2013, o àse de òbe (faca) e de Búzios, sendo liberado desde então para desempenhar o sacerdócio religioso, através do Batuque e das demais práticas rituais herdadas pelas mãos da mesma.

O sacerdote além de aprender os rituais do Batuque, Umbanda e Kimbanda há 15 anos, também é pesquisador independente e autodidata, onde podemos citar alguns de seus materiais já publicados:

· O Ilé-Orí e a Cremeira: A Noção de Pessoa no Batuque do RS

· Redescobrindo o Culto Nàgó do Príncipe Custódio no Batuque Afro-Sul

· A Descendência do Òrìsà e sua Sobrevivência na Iniciação no Batuque

· Arísùn - O Ritual Fúnebre no Batuque do RS

· As Diferentes Formas de Culto da Quimbanda no Rio Grande do Sul

· O Culto Ìbejì no Batuque do Rio Grande do Sul

· O Culto Ancestral Feminino no Batuque do RS



Localização:

Rua Floriana Medina Rodrigues, nº 30 \ Bairro Vila Elsa \ Viamão – RS

Fone: (51) 9272-88-44


Para uma mellhor comodidade e disponibilização dos nossos materiais escritos, criamos nossa página:



Onde será possível baixar os materiais em arquivo pdf.

Agradeço a todos de coração mesmo pelos acessos no "nosso Blog", mas estaremos postando no wordpress, a partir de hoje!!!





1. Fonte: OLÁTÉJÚ, Adésolá. The Yorùbá Animal Metaphors: Analysis, Nordic Journal of African Studies nº 14: 368–383, and Interpretation, University of Ibadan, Nigeria, 2005.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

REVISTA OLORUN DIVULGANDO O BATUQUE DO RIO GRANDE DO SUL MUNDO A FORA!!!

REVISTA OLORUN DIVULGANDO O BATUQUE DO RIO GRANDE DO SUL MUNDO A FORA!!!


Amigos e irmãos Batuqueiros,

Saiu mais uma edição da revista Olorun, e mais uma vez está Imperdível!!!

Foi publicado um material “inédito” ainda nas literaturas Afro-brasileiras sobre o Batuque Afro-Sul, expandindo nossa cultura a nível “Mundial”, pois a revista está disponível gratuitamente na Internet. Aproveito o espaço para divulgar o material, juntamente com seu resumo:


A DESCENDÊNCIA DO ÒRÌSÀ E SUA SOBREVIVÊNCIA NA INICIAÇÃO NO BATUQUE

Rudinei Borba
& Erick Wolff

Pesquisadores independentes e
Autodidatas

Novembro / 2012

RESUMO
O propósito deste texto é analisarmos a descendência do Òrìsà, e sua sobrevivência no rito de iniciação do Batuque do R.S., mostrando a possibilidade de tais ritos terem sido fundados por descendentes reais da linhagem dos Òrìsà, utilizando como base para o estudo as informações fornecidas pelo bàbáláwo Chief Aikulola Fawehinmi, sacerdote reconhecido no culto tradicional yorùbá, tanto em Osogbo quanto em Òyó.

O trabalho traz muitos assuntos importantes, falando da descendência dos Òrìsà que ficaram conhecidas como “qualidades de Orixá” ao longo dos anos pelas culturas afro-brasileiras.
Demonstra o quanto o Batuque se aproxima da religião tradicional Yorùbá, por não ter reafricanizado seus rituais ao longo dos anos.
Traz uma entrevista com Chief Aikulola realizada por Luiz L. Marins, mostrando a não necessidade de se raspar a cabeça e nem fazer o adósù numa iniciação religiosa, quando o iniciado carrega a descendência do Òrìsà.  
O material torna acessível trabalhos importantes de outros escritores como Verger, Aulo Barretti, entre outros, sempre citando e dando créditos aos autores, pois a revista reconhece que isso é fundamental para sua imagem de seriedade.
Citamos parte do artigo “Èsù Òta Òrìsà” de Luiz L. Marins, mostrando um antigo costume yorùbá chamado Didota que era feito para eternizar em pedra uma pessoa poderosa, segue resumo:

DID’OTA – A ARTE DO SER HUMANO SER TORNAR PEDRA
Antigamente, em todo nosso extenso país, não havia uma cidade onde a idéia de Ota-dida não era bem conhecida [...]

Publicado em: BARRETTI FILHO, Aulo. Dos Yorùbá ao Candomblé Kétu, Edusp, São Paulo, 2010.
Traz também parte da história do reinado de Aganjú em Òyó, bem como sua história familiar, onde antecipamos um pequeno resumo:
[...] O reinado de Aganjú foi longo e próspero. Ele tinha o dom de domar os animais selvagens e serpentes venenosas. Podia ver várias delas arrastando-se pelo seu corpo sem fazer mal algum. Dentro de sua casa ele tinha um leopardo dócil, onde se podia ver Aganjú encostar seus pés no animal como se fosse uma esteira, onde demonstrava seu poder e virilidade [...]

Agradecemos a revista Olorun pelo seu objetivo de divulgação das religiões de matrizes africanas, enriquecendo muito nossas religiões e culturas.
Como colaborador da revista, tivemos à informação que já constam mais de 7.000 acessos neste ano, contanto com prestígio de leitores em diversos países, além do Brasil é claro, onde podemos citar alguns que mais acessam: Portugal, Estados Unidos, Uruguay, Angola, Nigéria, República Popular do Benin, França, Itália, entre outros.
Parabéns revista Olorun por esse ano repleto de conquistas!!!

Para ver o material completo e as partes expostas aqui, acesse:

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ÀSÒGÚN (AXOGÚN) “O ÀSE DE ÒGÚN”

ÀSÒGÚN (AXOGÚN) “O ÀSE DE ÒGÚN”


A sua tradução do Yorùbá através da junção das palavras: Àse + Ògún, ou seja, o Axé de Ògún, sendo ele o Òrìsà responsável pela era do ferro, portanto dono das facas (Òbe) utilizadas nos rituais para Òrìsà.
Indo de encontro com propósito desse comentário, aproveitamos para divulgar nosso trabalho na fabricação e venda de facas destinas ao culto de Òrìsà, culto Kimbanda e para diversos fins, como por exemplo: facas desenvolvidas especialmente para courear animais de 4 patas e trabalhos na cozinha de santo em geral.
Analisando a dificuldade em se conseguir facas de qualidade, com um material super-resistente em floras, e casas especializadas em artigos religiosas, bem como, facas com preços muito altos vindas de artesões cuteleiros renomados, partiu a ideia de trabalharmos com esse instrumento tão importante para o nosso culto e que seria uma grande honra poder fazer diversas facas que sacrificariam em segunda instância para nossos queridos Òrìsà.
Criamos as FACAS ÀSÒGÚN (facas Axogún) personalizadas e customizamos as mesmas de acordo com sua necessidade e encomenda, como:
Cor do cabo
Tipos e formatos de lâminas
Tipos e formatos de cabos, e com algum trabalho artesanal, podendo ser um búzio, miçangas, etc.

COM UM PREÇO QUE IRÁ CABER NO SEU BOLSO!!!!

FACAS PERSONALIZADAS APENAS: R$ 100,00
FACA PARA COUREAR ANIMAIS DE 4 PATAS APENAS R$ 80,00
FACAS PARA COZINHA DE SANTO EM GERAL R$ 80,00

LIGUE PARA (51) 9272-88-44 E FALE COM MÓGBÀ RUDI











quarta-feira, 19 de setembro de 2012

BALANÇA DOS ORIXÁS, O QUE É ISSO?

BALANÇA DOS ORIXÁS, O QUE É ISSO?



Pessoal,
Qual verdadeiro significado da Balança no Batuque?
Para saber mais ver publicação da 8ª edição revista Olorun "ILÉ ORI E A CREMEIRA: NOÇÃO DE PESSOA NO BATUQUE AFRO-SUL"

Èmí só ká sùn:

Èmí= Alma
Só= Atravessa
Ká= Andando em círculo
Sùn= dorme

Tradução: Alma atravessa andando em círculo e dorme

"Possível" significado da expressão... Balança no Batuque!!!
Um tanto diferente do habitual!!!


Leia em:

ÌWÁTÍTO (Retidão e Honestidade) no Faceboock

ÌWÁTÍTO (Retidão e Honestidade) no Faceboock


Apresento trecho extraído do Artigo de nossa autoria, publicado na Revista Olorun, que acredito ser de grande valia para nosso entendimento de “Bom Caráter”, pois assim como eu, muitos ainda tropeçam nesse entendimento!
BORBA, Rudinei, Ilé-Orí E a cremeira: A Noção de Pessoa no Batuque do RS, in, Internet, Revista Olorun, n. 08, Março de 2012, http://www.olorun.com.br

Pág. 17
[...]
RUDINEI: Ìwà Pèlé é à base da Noção de Pessoa?
LUIZ L. MARINS: Não, e aproveito para esclarecer que a palavra Ìwà realmente significa caráter, mas apenas caráter, sem nenhum qualificativo. Assim temos:
Ìwà Pèlé > gentileza, uma pessoa gentil.
Ìwátíto > retidão, honestidade.
Ìwà Pèlé não quer dizer “bom carater” no sentido de honestidade, pois a palavra iorubá para honestidade é ìwátíto. Alguém gentil no trato, pode não ter bom caráter, e alguém honesto pode não ser gentil.
Tanto a gentileza, quanto a honestidade, e outros qualificativos bons ou ruins, dependem de ìfé-àtinúwa (livre-arbítrio).
Ìwà, seja ele bom ou ruim, é a base para a formação de okàn (alma), que é um dos conceitos de Noção de Pessoa, mas não é a base para a formação desta.
Com o relato do entrevistado, percebemos que há uma divergência no conceito de “bom caráter” dentro das literaturas Afro-Brasileiras, onde emprega apenas o termo ìwà pèlé como sendo o responsável pela honestidade do religioso, mas que realmente é um assunto que merece ter uma análise mais ampla em seu contexto. [...]

É amigos, assunto bem polêmico esse, pois vejo que muitas pessoas as vezes julgam o caráter de outras pela gentileza, onde cometemos grandes erros no decorrer de nossas vidas. Mau caráter para mim quem não fala a VERDADE, vive na mentira, engana, não fala sua opinião e vive na omissão!!! Hoje em dia percebemos uma grande falta de caráter nas redes sociais, como exemplo: FACEBOOK, onde as pessoas ficam se alfinetando umas as outras com mensagens indiretas, sem chegar para pessoa e falar o que pensam diretamente para as pessoas. Exclui meu FACEBOOK justamente por isso, pois falar ao “AR” qualquer um fala, daí ficam as pessoas que leem as besteiras e ficam achando que é para umas e outras!!! A parte apresentada por Luiz L. Marins foi muito grandioso para meu entendimento, pois realmente uma pessoa direta em suas palavras nem sempre é Mau caráter, e uma pessoa gentil não quer dizer que tenha caráter. O meu interesse em tocar nesse assunto, é por que as pessoas se esqueceram que uma palavra mansa, amiga e fraternal, também é axé (iwapele). A maioria das pessoas são honestas (iwatito), mas por conta disso, a maioria também são grossas, estúpidas e ignorantes (aisõre, aisĩwa)... como se sua honestidade as autorizasse ser assim ... honestidade não é virtude, é obrigação ... portanto:
Sejamos honestos, mas sejamos também gentis ... sejamos gentis, mas sejamos também honestos ...
somente assim poderemos dizer que temos Iwa (pele, otito, etc.)
 Ficamos todos atentos a essa filosofia de vida, afinal, ela abre os portões do Òrun!!!
Para saber mais sobre Caráter, ver:
Filosofia de vida yorùbá querendo dizer “caráter”. Para saber mais, ver ABÍMBÓLÁ, Wande. “The concepto of good character in Ifá Literary Corpus”, in, ABIMBOLA, Wande. Yoruba Oral Tradition, selections from the papers present at the seminar on Yoruba oral tradition: poetry in music, dance and drama. Departament of African languages and Literatures, University of Ife, Ile-Ife, Nigeria, 1975.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

PROVÉRBIOS YORÙBÁ


Ajejé owo kan ko gbe igbá de orí.
Com apenas uma mão não se pode levantar uma cabaça cheia na cabeça.
Ao fazer uma tarefa que não se pode desempenhá-la apenas com uma mão, sempre se deve buscar ajuda. Há muitas coisas que duas pessoas podem fazer melhor que apenas uma!

Asokó fún adie igbà, ókó ni iso titi fi nsu.
Aquele que atira pedras a 200 galinhas, atirará pedras até que caia a noite.
Uma pessoa deve limitar suas atividades e objetivos até fazer umas quantas coisas bem feitas: Não é bom ser um "aprendiz de tudo e um mestre de nada".

Bi igi ba wo lu igi, eyi ti o wa l'oke ni a nko ke.
Se uma árvore cai sobre outra, se deve cortar primeiro a que está em cima.
Quando há muitos assuntos que requerem atenção ao mesmo tempo, se necessita ter cuidado ao ordená-los: “Se deve tratar de forma que não crie uma confusão ou um mal entendido.

Bi oni ti ri, ola ki iri be, ni imu babalawo difa orurún.
É pouco provável que as coisas de amanhã seja igual que a de hoje, é por isso que o Bàbáláwo consulta o oráculo de lfá a cada cinco dias.
Uma pessoa deve estar preparada para as armadilhas deste mundo: “As coisas nem sempre saem como se deseja”.

Bi owo ko sin ile ti ko sín enu, bi o ba se oluware yioyo.
Se a mão não deixa de ir continuamente do prato a boca, ao final sentira-se satisfeito, no importa o quanto pequeno seja a bocada.
Não ignore as coisas pequenas. Cada grão de areia pode formar uma montanha.

Eni ti nwale ni nsínkú, eni nsunkún npariwo.
Aquele que cava a cova, somente enterra o cadáver. E o homem que chora só faz ruído.
Aqueles que, apesar das circunstâncias desfavoráveis podem controlar seus sentimentos e fazer as coisas essenciais quando outros estão cheios de pânico, são os que melhores que ajudam a sociedade da qual pertencem.
 

obs.: As palavras em Yorùbá não foram colocadas em sua acentuação correta, prevalecendo o (Yorubês)

 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

QUEM ERA CUSTÓDIO? FOI PRÍNCIPE? O QUE É ORÍ? NOÇÃO DE PESSOA NO BATUQUE?

QUEM ERA CUSTÓDIO? FOI PRÍNCIPE?

Leia em:

Preciso divulgar os materiais que acredito serem de grande contribuição a todos...  O ituito é apenas de contribuir com materiais novos...

Este mês a revista Olorun trás materiais que serão muito útil para nós todos, pois fala da suposta vida de principe de Custódio, de onde veio ele, quem era, teria introduzido culto Vodún no Batuque? relatos de pessoas antigas do Batuque!!! inédito!!!

Já no material sobre Ilé-Orí e a cremeira "A noção de pessoa no Batuque Afrosul" fala exatamente o que viviamos discutindo na comunidade Batuque do RS... No que acreditar, de onde viemos, para onde vamos? o que é Orí? alma... espírito... Èmí só ká sùn: damos"possível" significado da expressão... balança!!! Demostrando a ocupação, incorporação... sonhos, de javú, sombra... interessantíssimo... relatos de pessoas antigas do Batuque!!! inédito!!!

Homosexualidade tão dicriminada no rito e que é contextada analisando fatos distorcidos na cultura Yorùbá... e no Batuque, onde uma grande parte dos adeptos se encaixam no tema abordado!!! divulguem por favor!!!

E o material sobre iniciação de Bàbáláwo que servirá para mostrar aqueles se ao se iniciar em Ifá acham que podem ser chamados de Bàbáláwos... cuidem com títulos comprados... nem sempre uma pessoa que se diz babalawo poderá ser... vale muito apena verificar este material!!!

Abraço a todos e desculpe usar o espaço mais uma vez!!!
Fiquem com os Òrìsà!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A POSIÇÃO DA MULHER NO CULTO À ANCESTRALIDADE YORÙBÁ


Amigos leitores,
Saiu mais uma edição da revista Olórun e mais uma vez recheada de materiais inéditos!!!
Aproveito para divulgar o material que escrevi na mesma...
Um material no qual foi erroneamente divulgado através dos tempos no Brasil e mal interpretado referente a conceito de Ancestral masculino e ancestral feminino!!!
No qual alguns escritores alegam que o culto Egúngún cultua apenas espírito masculino e o feminino cultuado coletivamente através de Ìyámi!!!

Segue endereço da revista:

http://olorun.com.br/site1/index.php

Assunto esse que no qual engrandece  mais uma vez o culto do Batuque no Rio Grande do Sul
"Eégún feminino, é possível?"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

KÀNBÍNÀ NÃO É BANTÚ

Assentamento de Sàngó em Òyó próximo ao palácio do Àláàfin       

 Kànbínà não é Bantú
Mógbà Rudi

      Existem muitas confusões em respeito ao chamado lado de “Kabinda" ou "Kànbínà". Antigamente era mais comum escutar que este lado se chamava Kànbínà, mas acabou perdendo-se devido a intenção de diversos pesquisadores e autores em relacionar a palavra Kànbínà com a Àfrica, gerando grandes confusões por parte dos adeptos do Batuque Sulino. Sabemos que a tentativa de preservar, africanizar e até mesmo defender essa Nação, fez com que perdesse realmente o sentido da Kànbínà, pois acabaram deduzindo que Kànbínà seria uma dança folclórica[1].      Muitos pesquisadores tentaram fazer comparações com os rituais de Kànbínà serem uma mistura de fundamentos do Ijesà, Jéjé e até mesmo do Òyó, gerando grande polêmica aos adeptos do Batuque. Diversos debates acalorados até mesmo no Orkut levantaram grandes contradições, costumes, idioma falado e fundamentos cultuados por Kànbínà, mas ao pesquisar esse assunto com Sacerdotes diretos da Àfrica, me relataram que Kabinda não é um lado Yorùbá, nem Jéjé, tão pouco uma Nação, é um local de Angola onde habitam várias Nações, entre elas os Bakongo (Congos) e Mayombe como grupos mais destacados, sendo todos de origens e crenças Bantús, que na verdade rendem culto aos Bakisi (Nkisi), pois a Kànbínà do Batuque Sulino cultua todos os Òrìsà do panteão Yorùbá, mas deixo uma pergunta no ar: Por quê antigamente chamava-se Kànbínà? Será que os antigos não deixaram esse fundamento? Será que os antigos tiveram dificuldades em preservar fundamentos?
            Gerando mais polêmica ainda, relatos direto da África deixam claramente que o nome correto é “Kànbínà” e não se deve escrever “Kabinda”, pois seu nome deriva da palavra Yorùbá “Òkànbí + ònà” que traduzido ficaria (O caminho de Òkànbí), a primeira vogal “O” não se escreve, nem tão pouco é pronunciada. Kànbínà faz referência aos seguidores do culto dos Reis de Òyó, levando Òkànbí a posição do primeiro Rei de Òyó, devido a escrituras onde relatam que:
“Odùduwà uniu-se a Olókun (Senhor dos Oceanos) assumindo a forma de Obá-Olókun (Rei dos Oceanos), tendo três filhos, Ògún, Ìsèdálè (equivalente a deusa Afrodite) e Òkànbí (deus do fogo). Òkànbí teve sete filhos, dentre eles Òrònmíyòn, que deu continuidade a missão de Odùduwà, na divulgação da Religião dos Orixás, tornando-se o mais famoso dentre todos os filhos por fundar Òyó”.

Nome também de um subgrupo de adoradores fiéis a Sàngó como Òrìsà supremo que também é Rei dentro do Batuque.
         Sendo assim, fica claro que Kànbínà não é Bantú e sim Yorùbá, mais precisamente pertencem a raiz mais antiga do Òyó, sendo uma lástima que os adeptos do lado de Kànbínà, por desconhecer esses fatos, acreditam que tem alguma raiz Bantú e que essa Nação, cujo Rei é Kamuká veio direto da região de Kabinda, onde nunca se ouviu ao menos falar em algum Nkisi Kamuká, mas convido a todos a pesquisarem como Kamùkan, sendo um caminho de Sàngó como tantos outros, mas precisamente um Sàngó cultuado do lado de fora do templo.
       Se analisar bem o sobrenome Barúolofina, encontraremos Barú= (Rei que governou Òyó, muito enérgico e contam lendas que cozinhava inhame com o fogo que saia de suas narinas) + Olófin= (Senhor do Palácio) + Ina= Fogo, ficando “Barú senhor do palácio de fogo”, quem conhece lendas de Sàngó entenderá essa qualidade. Kànbínà é talvez a raiz mais pura e antiga do povo Yorùbá, portanto Kamuká nunca foi nem será um Nkisi e muito menos Bantú.
         De acordo com a crença Yorùbá todos Òrìsà foram em algum momento seres humanos que viveram na terra com exceção de alguns Òrìsà, por essa razão também passaram pela etapa de serem Egúngún até se tornarem Òrìsà, isso aconteceu com Sàngó quando enforcou-se na árvore Ayan, onde seus súditos promoveram seu culto, Kànbínà tem culto direto aos Egúngún devido a cultuar um dos maiores antepassados da Dinastia Yorùbá. Sabendo que a etapa de Eégún vive paralelamente com a de Òrìsà, seguem existindo ambas faces, porque a pessoa está morta, então tem duplo culto: como Eégún e como Òrìsà. Todos Òrìsà com exceção dos Funfun tem caminhos e qualidades de fora do templo, onde trabalham com a feitiçaria, Eégún, Èsù, etc.
      Então todos os Òrìsà podem ser cultuados no lado de fora do Ilé, menos Òsà-nlá. Isso é comprovado no odù Oyekú Mejì me passado pelo Aworísà Omotobàtálá:
Quando os Òrìsà vieram ao mundo, chovia muito, então ao chegar foram improvisados abrigos aos Òrìsà para lhes acolherem, Bàrà se escondeu em uma cabana de palha na entrada da cidade, onde habitariam os demais Òrìsà, Ògún foi para baixo das árvores no mato, Oya se escondeu no bambuzal, Sànpónnà com suas folhas da palmeira improvisou uma cabana e assim os demais Òrìsà, menos Òsànlá que seguindo o conselho que haviam dado os Bàbálawo celestiais, seguiu caminhando lentamente baixo de chuva até chegar no povoado. Ali, como foi o primeiro a chegar, todos pensaram que deviam ser ele o mais poderoso de todos os Òrìsà e o líder, lhe receberam com festejos e lhe deram roupas brancas para secar-se e construíram uma casa para ele.
        Por isto Òsànlá é o único Òrìsà que realmente deve viver dentro de casa, o restante pode ser cultuado do lado de fora do templo. 
Convidamos aos amigos estudiosos, pesquisadores, historiadores para que pesquisem a origem do nome "Gululu", nome este que acreditam alguns adeptos que trouxe a  Kànbínà de regiões Bantús e ensinou Waldemar dos Santos (Patriarca da nossa nação no RS). Procurem o estudo do nome mencionado, onde se encaixaria no idioma Kimbundo e ou Kikongo e depois tentem dar o entendimento dele no idioma Yorùbá, como procurando em dicionários: Gu, Gú, Gù + lu, lú, lù.


[1] Escritor Paulo Tadeu Barbosa menciona que a origem da palavra Kabinda vem de uma região Bantú e que cambina seria uma dança folclórica, conforme seu livro intitulado “Orixá Bará” – 2006, Porto Alegre, Editora Toquí.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ọlọ́run Edição n° 05 (Kabinda ou Kànbí'nà no RS)

Pessoal,
Saiu a 5ª Edição da revista Olórun recheada de informações que são de suma importância para o crescimento das religiões de Matriz Africana.
Não perca, pois nesta edição traz um assunto que vem causando polêmica através dos anos para o Batuque Afro-Sul, onde tivemos o previlégio de nos deparar com o trabalho de pesquisas do amigo Erick Wolff que ao meu ver só engrandece nosso culto!
Obrigado Erick pelo trabalho de pesquisas que efetuou referente a minha Raíz Religiosa "Kànbí'nà"



http://www.olorun.com.br/site1/magazines.html?view=magazine_more&id=23&b=1







A 05º Edição da Magazine On Line Ọlórun, foi criada para difundir gratuitamente o saber, através da internet poderemos atingir a Tradicional Família Afro-brasileira, levando conceitos, informação, tradição, cultura e o mais importante, "uma gota", para a formação do um “Bom Caráter”.

Desejamos que a 5° edição, possa ajudar nos estudos e a orientar, o neófito e o sacerdote em sua caminhada pela luz, para isso contamos com diversas fontes e culturas, para criar uma revista com a personalidade brasileira.

Que nossos filhos, cuidem daquilo que plantamos nesta terra, que eles nos representem com honra e dignidade

Boa leitura

Redator- Erick Woff∞




sexta-feira, 22 de julho de 2011

VERGONHA PARA POVO DE SANTO...

Bàbá Erick
22 /07/2011

Acabei de ler o livro, Orixás do Orun ao Ayê, editora Marco Zero, considero um livro perigoso para a familia tradicional afro-brasileira, com muitos erros de informação, deixando uma margem de duvida, será que quem leu o livro na editora para aprovar, entende do assunto?O livro visualmente está lindo, parabéns para  a editora pelo belo trabalho e pela qualidade da obra, apesar da entonação sensual, é possível imaginar que foi mais jogo de marketing do que falta de conhecimento.
Porem são muitos itens que contradizem a cultura Yorùbá, não consegui entender de onde retiraram tantos absurdos e o que pensavam as fontes referenciadas para oferecer tais conceitos para o livro? Claro que o autor deve conhecer muito pouco sobre a cultura Yorùbá, entre tantos absurdos registrados por escritores, este livro deve ser um dos piores, sabemos que o único a fornecer o sopro da vida é Ọlọ́run, sem ele não seriamos nada, além de terra e água, segundo os Ìtàn da cultura Yorùbá. Veja os pontos mais críticos desta obra;


E proporcionou ao novo ser o dom de dar a vida a qualquer coisa.(Pg. 12)


Isso nunca ocorreu, não sei de onde retiraram isso!!!!
  1. Feliz com que havia criado e por não estar mais sozinho, Olorun decide criar os orixás.
    a todos Oxalá dava a vida com seu sopro.(pg. 13)

  1. Moldados pelo Deus supremo Olorun e trazidos à vida pelo primeiro orixá, oxalá.(pg. 14)

Outro conceito errado, não é verdade que ocorreu isso!

 
  1. Quem poderia imaginar? Terra firme sobre a água.Eu fiz isso.
    Eu criei a terra!
    (pg. 36)


Odùdùwà não criou o Ayê, ele simplesmente manipulou os elementos.
  1. Nanã diz – è terra molhada do fundo do rio, mas pode chamar de  barro.Oxalá diz – Mas por que você desenterrou essa porcaria, Nanã?(pg. 46)


É um absurdo esta frase.

  1. Olorun diz à Oxalá – Dê a vida também aos defeituosos.(pg. 54)

Jamais Oxalá deu a vida  a ser algum, todos passamos por Ọlọ́run para receber o sopro da vida.

São tantos  erros gravíssimos que encontrei no livro, todos citados acima, levando em conta a responsabilidade e seriedade do mesmo, eu fico preocupado com o que foi publicado...

Mas o mais importante, mesmo, é que jamais foi dado o poder a Obàtálá de dar a vida a ser algum, sendo que este conceito é erradíssimo, pois cabe apenas  a Olódúmarè, reconhecido por toda  a cultura Yorùbá, como o senhor do universo, que jamais concedeu o poder de dar vida  a ser algum nem do Òrun ou do Àiyé, pois o sopro da vida vem direto de Ọlọ́run. E nem uma divindade tem o poder  de animar um ser  vivo ou qualquer divindade, quanto mais criar divindades.

Segundo o comentário do escritor Luiz L. Marins, estudiosos da cultura Yorùbá.

“O conceito está todo errado...
O ayê é a vida no mundo físico, não o mundo físico propriamente dito.
O mundo físico, sem vida, não é ayê, é apenas ilé.
Por isso é que eu afirmo que mesmo no mito de Oduduwa, ele nunca criou o ayê, ele apenas trouxe o ilè.”

Outro fator importante é que na pagina cinco (5), o autor mistura culturas como Bantu, Congo e Angola generalizando com as Yorùbá e Djedje, isso não existe, afinal no Brasil são culturas distintas, no máximo uma Angola que chega a cultua Orixás (Yorùbá), mas  isso está sendo corrigido entre os sacerdotes que estão definindo corretamente o que cultuam em suas casas.

As fontes do escritor foram muito controversas e este livro possui erros gravíssimos, que deveriam ser reconstruídos, antecipando que os brasileiros irão aprender errados os assuntos que foram maus colocados nesta obra.
Note – Òrìsànlá ou Obàtálá foi o primeiro ser criado, assim conta os Ìtàn Yorùbá, sendo que Ọlọ́run, apesar  de o chamarem de Olódúmarè ou Olodumarê, desconheço chamarem de Olodunmaré (sendo que a letra é não seria correto na língua Yorùbá), e Olodun deve ser um grupo de afoxé, que não teria  origem nesta divindade...

Orixás do Orun ao Ayê
Autor: Alex Mir, Caio Majdo, Omar Viñole
Editora: Marco Zero
N. de páginas:978-85-213-1675-6
ISBN:78

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ETNOGRAFIA RELIGIOSA IORUBÁ E PROBIDADE CIENTÍFICA



Etnografia religiosa iorubá e probidade científica


Pierre Verger
Revista Religião e Sociedade, nº 8
São Paulo, 1982
ISER, Editora Cortez.


Segue material que acredito ser de suma importância para o entendimento de como se desestruturou a cultura Yorùbá no Brasil, onde muitos conceitos evasivos foram passados de gerações em gerações, provocando uma grande distorção histórica de fatos. Nas quais cito algumas:



Odùduwà (Patriarca Yorùbá) confundido com Odù, elevando o mesmo ao sexo feminino;

Questionamento sobre os sangues impostos por Juana Elbein dos Santos no livro "Os Nàgó e a Morte".

A confusão histórica, cultural e religiosa imposta pela escritora no seu livro;

As bases de pesquisas sem nexo e fundamentos herdadas atráves das décadas, deixada por Padre Baudin;

Em fim, acredito que todo religioso, pesquisador, professor, acadêmicos, etc. Deveriam ter acesso a esse material, no qual poderia evitar grandes erros muito antes das pessoas usarem essas fontes para dar crédito a seus trabalhos.

Para ver o material em seu formato original, acessar:
Aqui você pode ver on line:




segunda-feira, 4 de julho de 2011

OLORUN MAGAZINE 4ª EDIÇÃO


Amigos leitores,
Saiu mais uma edição da revista Olorun Magazine.
Acredito que seja de grande utilidade para aqueles que buscam conceitos, informações tradicionais das religiões de matriz africana, com materias didáticos selecionados dentro da comunidade Religiosa. A revista Olorun é uma tentativa de resgatar e divulgar materiais com fontes confiáveis, resultado de estudo de pesquisadores, escritores e adeptos do culto afro-religioso!!!

Clique para acessar:

http://www.olorun.com.br/site1/index.php?option=com_flashmagazinedeluxe&view=magazine&id=22&tmpl=component



Grande abraço e espero que gostem, pois a tentativa da mesma é a mais sincera e transparente possível!!!!

Mógbà Rudi Omo Sàngó

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A BOA CONDUTA AFRICANISTA

A BOA CONDUTA AFRICANISTA

Texto de: Bàbá Osvaldo Omotobàtálá
Traduzido por: Mógbà Rudi Omo Sàngó



"...Aqueles que dizem efuru por esuru
bom, nosso Pai está olhando lá de cima (céu),
Aqueles que dizem odide por oode, (que o papagaio és o morcego)
bom, nosso Pai está olhando lá de cima (céu),
Aqueles que dizem que a folha de oro és a de oriro,
bom, nosso Pai está olhando lá de cima (céu)..."


Sobre os mentirosos, o odù Otura diz:

"Ser mentiroso não priva alguém de fazer-se rico,
Romper um contrato não priva alguém de ter uma idade avançada;
Porém o dia que morrer, aí terá problemas."



 Na religião tradicional Yorùbá sabe-se que muitas coisas devem pagar-se depois da morte, por isso se tem muito cuidado em não cometer faltas, os Òrìsà(s) não apoiam os mentirosos, os ladrões, injustos, degenerados, adúlteros, assassinos, etc. Os Òrìsà(s) mandam sempre a seus seguidores a dizer a verdade, incluso nos próprios odù(s) a maioria das vezes se trata de deixar claro que aquele que engana, rouba ou comete faltas sempre sai prejudicado, és castigado ou termina na ruína.


Em outra parte do odù Oturupon diz assim:

"...Seja sincero, mesmo que sozinho,
Seja verdadeiro, faça o bem!
Aquele que és verdadeiro, as divindades o apoiaram,
Diga a verdade, mesmo que sozinho..."


O roubo é visto como um ato vergonhoso, algo que ninguém deveria se gloriar. Ter um ladrão dentro da comunidade se considera uma desgraça. Quando há roubos, se realizam rituais para saber quem foi o ladrão e recuperar os objetos roubados. O ladrão, a conseqüência do poder divino, sofre em pouco tempo todo tipo de enfermidades, paralisias, cegueiras momentâneas, sofrendo todos danos em forma física e psíquicas, a tal ponto que deverá recorrer a um sacerdote africanista para que retire o mal. Quando o bàbálawo vê que o mal do paciente é devido a roubos, é indica que deve devolver os objetos ao dono em praça pública, diante de todos e além disso, pagar certas oferendas aos Òrìsà(s). O roubo acaba com a reputação e integridade da família do ladrão, sendo que os africanos tradicionais se preocupam muito pelo seu nome e reputação. O furto não só é considerado algo imoral, também é uma ofensa religiosa castigável por parte do Todo poderoso.
Os sacerdotes africanistas, os chefes (de bairros, cidades, etc.) e os reis tem poderes político-religiosos e são quem aplicam as leis, a justiça e os castigos das faltas dentro da comunidade. Os Hierárquicas e sacerdotes são respeitados como se respeita a um Òrìsà, pois se consideram "maiores" e portadores de sabedoria dos Ancestrais. Em quanto a falta de respeito aos "maiores" (planos religioso-político e idade) e aos pais, aquele que comete dito crime, insultando aos mesmos, insulta também aos Ancestrais e Òrìsà(s), atraindo para si o castigo dos mesmos. Se bem, a insolência se perdoa, se considera um ato definitivo. Os Pais (ancestrais) devem ser venerados e determinado momento "render-lhes culto", pois és a vontade de Olórun (Deus) que se venere aquém nos veneram e em qualquer sociedade onde não se venere aos Pais, pois assim se terá as benções do Todo poderoso.


Iwori disse:

"...Respeite seu Pai e sua Mãe
esses que viveram longo tempo na terra,
Ifá diz: que oferte a seu Pai e a sua Mãe
o sacrifício de cuidados, retidão e humildade,
pois isso lhe trará retribuições.
Ifá diz: que oferendando esse sacrifício e sendo obediente
não atrairá maldições.
As maldições de seu Pai e de sua Mãe
são as maldições do Onipotente..."


Em outra parte do mesmo Odù diz:


"Meus Pais não trabalharam em vão por mim.
Nasci porque a sorte de minha mãe era boa,
nasci porque a sorte de meu pai era boa.
Me deram a luz e meus braços não eram deformes,
não nasci enfermo,
não nasci leproso.
Ancio poder ter meus próprios filhos,
de maneira que possa ter descendentes.
Quero ter casas,
quero ter bens materiais,
quero ter dinheiro.
Meus pais não trabalharam em vão por mim.
Vim ao mundo devido a sua boa sorte,
Quero fazer algo bom da minha vida,
Para que o trabalho de meus pais não tenha sido em vão..."

Por outro lado no Odù Iwori-meji explica que todo aquele que respeite a seus Pais e Ancestrais (Ègúngún) em qualquer tarefa na que faça terá êxito. No Odù Obara-meji se condena a arrogância, o orgulho e as faltas de respeito dos jovens para com os anciãos, as quais são sentenciadas, dizendo que todos aqueles que não respeitam seus maiores não terão uma vida longa e aquele que golpeia seus pais, sacerdotes ou um ancião está atraindo sua própria morte. O governo africano é teocrático de modo que os governantes são vistos como representantes divinos. Toda falta de respeito, deboche ou rebeldia aos mesmos está proibido. Em quanto a lealdade absoluta e obediência ao governo.



no Odù Ejiogbe diz:

"...A Coroa deve ser julgada pela cabeça que usa Coroa.
Os lábios do filósofo são aqueles que devem desafiar ao filósofo..."
Um chapéu nunca será mais famoso que uma Coroa.
Aquele que guia o Corpo és a Cabeça..."

quem decide qual será seu objetivo primordial na nova vida que terá (destino). Utilizando as diferentes energias do Universo, podemos mais facilmente chegar a esse objetivo final pré definido por nós mesmos, isto és viver a vida equilibrada, com saúde, bem estar e felicidade.

O ser humano está formado fundamentalmente por três elementos: Emí (espírito), Orí (cabeça) e Ará (corpo). O Emí e o Orí convivem dentro do Ará separados, Orí é aquele que tem a aprendizagem e a sabedoria de outras encarnações, que se mantém fechado na consciência da pessoa até sua morte.

O Emí é aquele que nos permite o diálogo interno, aquele que armazena memórias desta encarnação e que da um passo paralelo em nossa consciência quando incorporamos ou montamos o Òrìsà, saindo do Ará.

Quando morremos, Emí e Orí se unem-se deixam o Ará que se transformará em Okú o corpo morto e ambos sendo uma só energia esperarão o destino que lhes depara, se voltarão ao Àiyé (terra) convertido em Ègún e esperar a Atùnwá (reencarnação), ou se lhes concede o Aragbá Orún (no caminho ao Orún), para posteriormente chegar ao estado de Ará Orún (habitante do Orún) junto aos Òrìsà(s). Este estado solo se alcança ao longo de várias reencarnações, até o final Emí alcança um estado suficientemente puro para converter-se em Ará Orún.

Todos os habitantes do Àiyé, de acordo com seu comportamento em sua jornada pela vida podem ser considerados como omoluabí ou ajogun. Aqueles que transgrediram as leis e tiveram um comportamento indigno durante sua vida, convertem- se em ajogun ou espíritos escuros, entre os quais podemos citar:



O Yorùbá tão pouco está de acordo com sentimentos como a avareza o egoísmo, pois Ifá diz: que todos vamos receber aquilo que damos, por isto, quanto mais mão aberta somos, mais receberemos. A chave é oferecer sem esperar nada em troca. Se ensina que se deve pagar sempre aos Antepassados e Òrìsà(s) para conservar a sabedoria, a sorte e os bens materiais; assim como também a ser contemplativo com o irmão mais necessitado e pobre, dando-lhe ajuda se for necessário.



Obara-meji diz:

"A mosca que não são gananciosas, nunca morrem em um recipiente de vinho.
A mosca que voa com as demais no ar
e não se atenta com os sebos que estão no chão.
Nunca são caçadas em uma armadilha."

 Outra coisa a ter em conta, é que somos proibidos maltratar ou castigar os animais, assim como tão pouco devemos matar animais por prazer ou esporte. O sacrifício de animais deve ser feito somente quando os Òrìsà(s) o pedem ou quando necessitarmos consumir carne, sempre consultando o oráculo, sendo que ditos sacrifícios devem ser efetuados por pessoas preparadas ritualmente. Consideramos que os animais possuem Àse dos Òrìsà(s) (que em conjunto representam Olórun) e se machucarmos algum animal, estará atraindo um Osogbo (poder negativo) para nós mesmos.


Ewi e Cerimônias

Em nossa tradição, se conhecem como “ewi” os louvores proverbiais tradicionais que se executam nos momentos especiais, tais como batismos, casamentos ou cerimônias fúnebres. Com ewi se da bem vinda a um novo filho dentro da família, no momento de dar-lhe um nome, o qual quase sempre é escolhido através do oráculo ou as vezes pode vir com o filho desde o orún (céu), com marcas que ditam qual deve ser o nome. Também com ewi (versos poéticos cerimoniais) se celebram os casamentos diante dos Òrìsà(s) e dos ancestrais, sendo que o casamento não só representa a união entre o homem e a mulher, sendo também a união de suas duas famílias e de seus ancestrais, por isso és de vital que os mesmos estejam de acordo. Para tal fim és consultado o oráculo e são feitos os ebo(s) correspondentes. Outro tipo de Ewi é usado para dar despedida a quem falece, devendo aqui também dar-se primazia ao que deseja o defunto, seus Òrìsà(s) e ancestrais, quem indicarão como desejam que se faça a cerimônia.
Em todas estas cerimônias sócio-religiosas nunca faltam elementos simbólicos típicos de nossa cultura como Nozes de Kola, Azeite de Palma, Efun, Mel, Gengibre e Vinho de Palma, entre outros. Há sempre uma comunhão entre os assistentes e no mundo, onde moram os Ancestrais e os Òrìsà(s). Em uma mesa (toalha que se coloca sobre uma esteira) se colocam os ingredientes simbólicos de nossa cultura, que recordam muitos de nossos mitos e tradições, junto com uma grande variedade de alimentos, bebidas refrescantes e flores.

A teologia Yorùbá radica fundamentalmente em um Deus único, o qual criou tudo o que existe. Dele partiram diferentes energias, que se encarregam de cada detalhe do Universo, estas são denominadas “Irunmole” e “Òrìsà(s)”.

Na teologia Yorùbá, primeiro, antes de alguém nascer já é decidido que vai acontecer em sua vida, isto ocorre através do Orí (cabeça)



Ikú: A morte (masculino). Rei dos ajogun.
Arun: A enfermidade (esposa de Ikú).
Ofo: A avareza.
Epe: O ódio.
Ewon: O egoísmo.
Ofun: O abandono.
Egba: A preguiça, a solidão.

Os omoluabi são os Ègún que foram dignos em sua vida, porém que de qualquer maneira cometeram alguma pequena falta, são considerados espíritos bondosos e podem ser parte dos ancestrais adorados pela família.