RESPEITE O AUTOR

Todos Direitos Reservados
Mógbà Rudi Omo Sàngó ***Copyright***
Amparado pela lei L9.610 de direitos autorais. Proibido a cópia total ou parcial dos textos por qualquer meio, seja para uso privado ou público, com ou sem fins lucrativos sem autorização prévia do autor.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

BALANÇA DOS ORIXÁS, O QUE É ISSO?

BALANÇA DOS ORIXÁS, O QUE É ISSO?



Pessoal,
Qual verdadeiro significado da Balança no Batuque?
Para saber mais ver publicação da 8ª edição revista Olorun "ILÉ ORI E A CREMEIRA: NOÇÃO DE PESSOA NO BATUQUE AFRO-SUL"

Èmí só ká sùn:

Èmí= Alma
Só= Atravessa
Ká= Andando em círculo
Sùn= dorme

Tradução: Alma atravessa andando em círculo e dorme

"Possível" significado da expressão... Balança no Batuque!!!
Um tanto diferente do habitual!!!


Leia em:

ÌWÁTÍTO (Retidão e Honestidade) no Faceboock

ÌWÁTÍTO (Retidão e Honestidade) no Faceboock


Apresento trecho extraído do Artigo de nossa autoria, publicado na Revista Olorun, que acredito ser de grande valia para nosso entendimento de “Bom Caráter”, pois assim como eu, muitos ainda tropeçam nesse entendimento!
BORBA, Rudinei, Ilé-Orí E a cremeira: A Noção de Pessoa no Batuque do RS, in, Internet, Revista Olorun, n. 08, Março de 2012, http://www.olorun.com.br

Pág. 17
[...]
RUDINEI: Ìwà Pèlé é à base da Noção de Pessoa?
LUIZ L. MARINS: Não, e aproveito para esclarecer que a palavra Ìwà realmente significa caráter, mas apenas caráter, sem nenhum qualificativo. Assim temos:
Ìwà Pèlé > gentileza, uma pessoa gentil.
Ìwátíto > retidão, honestidade.
Ìwà Pèlé não quer dizer “bom carater” no sentido de honestidade, pois a palavra iorubá para honestidade é ìwátíto. Alguém gentil no trato, pode não ter bom caráter, e alguém honesto pode não ser gentil.
Tanto a gentileza, quanto a honestidade, e outros qualificativos bons ou ruins, dependem de ìfé-àtinúwa (livre-arbítrio).
Ìwà, seja ele bom ou ruim, é a base para a formação de okàn (alma), que é um dos conceitos de Noção de Pessoa, mas não é a base para a formação desta.
Com o relato do entrevistado, percebemos que há uma divergência no conceito de “bom caráter” dentro das literaturas Afro-Brasileiras, onde emprega apenas o termo ìwà pèlé como sendo o responsável pela honestidade do religioso, mas que realmente é um assunto que merece ter uma análise mais ampla em seu contexto. [...]

É amigos, assunto bem polêmico esse, pois vejo que muitas pessoas as vezes julgam o caráter de outras pela gentileza, onde cometemos grandes erros no decorrer de nossas vidas. Mau caráter para mim quem não fala a VERDADE, vive na mentira, engana, não fala sua opinião e vive na omissão!!! Hoje em dia percebemos uma grande falta de caráter nas redes sociais, como exemplo: FACEBOOK, onde as pessoas ficam se alfinetando umas as outras com mensagens indiretas, sem chegar para pessoa e falar o que pensam diretamente para as pessoas. Exclui meu FACEBOOK justamente por isso, pois falar ao “AR” qualquer um fala, daí ficam as pessoas que leem as besteiras e ficam achando que é para umas e outras!!! A parte apresentada por Luiz L. Marins foi muito grandioso para meu entendimento, pois realmente uma pessoa direta em suas palavras nem sempre é Mau caráter, e uma pessoa gentil não quer dizer que tenha caráter. O meu interesse em tocar nesse assunto, é por que as pessoas se esqueceram que uma palavra mansa, amiga e fraternal, também é axé (iwapele). A maioria das pessoas são honestas (iwatito), mas por conta disso, a maioria também são grossas, estúpidas e ignorantes (aisõre, aisĩwa)... como se sua honestidade as autorizasse ser assim ... honestidade não é virtude, é obrigação ... portanto:
Sejamos honestos, mas sejamos também gentis ... sejamos gentis, mas sejamos também honestos ...
somente assim poderemos dizer que temos Iwa (pele, otito, etc.)
 Ficamos todos atentos a essa filosofia de vida, afinal, ela abre os portões do Òrun!!!
Para saber mais sobre Caráter, ver:
Filosofia de vida yorùbá querendo dizer “caráter”. Para saber mais, ver ABÍMBÓLÁ, Wande. “The concepto of good character in Ifá Literary Corpus”, in, ABIMBOLA, Wande. Yoruba Oral Tradition, selections from the papers present at the seminar on Yoruba oral tradition: poetry in music, dance and drama. Departament of African languages and Literatures, University of Ife, Ile-Ife, Nigeria, 1975.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

PROVÉRBIOS YORÙBÁ


Ajejé owo kan ko gbe igbá de orí.
Com apenas uma mão não se pode levantar uma cabaça cheia na cabeça.
Ao fazer uma tarefa que não se pode desempenhá-la apenas com uma mão, sempre se deve buscar ajuda. Há muitas coisas que duas pessoas podem fazer melhor que apenas uma!

Asokó fún adie igbà, ókó ni iso titi fi nsu.
Aquele que atira pedras a 200 galinhas, atirará pedras até que caia a noite.
Uma pessoa deve limitar suas atividades e objetivos até fazer umas quantas coisas bem feitas: Não é bom ser um "aprendiz de tudo e um mestre de nada".

Bi igi ba wo lu igi, eyi ti o wa l'oke ni a nko ke.
Se uma árvore cai sobre outra, se deve cortar primeiro a que está em cima.
Quando há muitos assuntos que requerem atenção ao mesmo tempo, se necessita ter cuidado ao ordená-los: “Se deve tratar de forma que não crie uma confusão ou um mal entendido.

Bi oni ti ri, ola ki iri be, ni imu babalawo difa orurún.
É pouco provável que as coisas de amanhã seja igual que a de hoje, é por isso que o Bàbáláwo consulta o oráculo de lfá a cada cinco dias.
Uma pessoa deve estar preparada para as armadilhas deste mundo: “As coisas nem sempre saem como se deseja”.

Bi owo ko sin ile ti ko sín enu, bi o ba se oluware yioyo.
Se a mão não deixa de ir continuamente do prato a boca, ao final sentira-se satisfeito, no importa o quanto pequeno seja a bocada.
Não ignore as coisas pequenas. Cada grão de areia pode formar uma montanha.

Eni ti nwale ni nsínkú, eni nsunkún npariwo.
Aquele que cava a cova, somente enterra o cadáver. E o homem que chora só faz ruído.
Aqueles que, apesar das circunstâncias desfavoráveis podem controlar seus sentimentos e fazer as coisas essenciais quando outros estão cheios de pânico, são os que melhores que ajudam a sociedade da qual pertencem.
 

obs.: As palavras em Yorùbá não foram colocadas em sua acentuação correta, prevalecendo o (Yorubês)

 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

QUEM ERA CUSTÓDIO? FOI PRÍNCIPE? O QUE É ORÍ? NOÇÃO DE PESSOA NO BATUQUE?

QUEM ERA CUSTÓDIO? FOI PRÍNCIPE?

Leia em:

Preciso divulgar os materiais que acredito serem de grande contribuição a todos...  O ituito é apenas de contribuir com materiais novos...

Este mês a revista Olorun trás materiais que serão muito útil para nós todos, pois fala da suposta vida de principe de Custódio, de onde veio ele, quem era, teria introduzido culto Vodún no Batuque? relatos de pessoas antigas do Batuque!!! inédito!!!

Já no material sobre Ilé-Orí e a cremeira "A noção de pessoa no Batuque Afrosul" fala exatamente o que viviamos discutindo na comunidade Batuque do RS... No que acreditar, de onde viemos, para onde vamos? o que é Orí? alma... espírito... Èmí só ká sùn: damos"possível" significado da expressão... balança!!! Demostrando a ocupação, incorporação... sonhos, de javú, sombra... interessantíssimo... relatos de pessoas antigas do Batuque!!! inédito!!!

Homosexualidade tão dicriminada no rito e que é contextada analisando fatos distorcidos na cultura Yorùbá... e no Batuque, onde uma grande parte dos adeptos se encaixam no tema abordado!!! divulguem por favor!!!

E o material sobre iniciação de Bàbáláwo que servirá para mostrar aqueles se ao se iniciar em Ifá acham que podem ser chamados de Bàbáláwos... cuidem com títulos comprados... nem sempre uma pessoa que se diz babalawo poderá ser... vale muito apena verificar este material!!!

Abraço a todos e desculpe usar o espaço mais uma vez!!!
Fiquem com os Òrìsà!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A POSIÇÃO DA MULHER NO CULTO À ANCESTRALIDADE YORÙBÁ


Amigos leitores,
Saiu mais uma edição da revista Olórun e mais uma vez recheada de materiais inéditos!!!
Aproveito para divulgar o material que escrevi na mesma...
Um material no qual foi erroneamente divulgado através dos tempos no Brasil e mal interpretado referente a conceito de Ancestral masculino e ancestral feminino!!!
No qual alguns escritores alegam que o culto Egúngún cultua apenas espírito masculino e o feminino cultuado coletivamente através de Ìyámi!!!

Segue endereço da revista:

http://olorun.com.br/site1/index.php

Assunto esse que no qual engrandece  mais uma vez o culto do Batuque no Rio Grande do Sul
"Eégún feminino, é possível?"

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

KÀNBÍNÀ NÃO É BANTÚ

Assentamento de Sàngó em Òyó próximo ao palácio do Àláàfin       

 Kànbínà não é Bantú
Mógbà Rudi

      Existem muitas confusões em respeito ao chamado lado de “Kabinda" ou "Kànbínà". Antigamente era mais comum escutar que este lado se chamava Kànbínà, mas acabou perdendo-se devido a intenção de diversos pesquisadores e autores em relacionar a palavra Kànbínà com a Àfrica, gerando grandes confusões por parte dos adeptos do Batuque Sulino. Sabemos que a tentativa de preservar, africanizar e até mesmo defender essa Nação, fez com que perdesse realmente o sentido da Kànbínà, pois acabaram deduzindo que Kànbínà seria uma dança folclórica[1].      Muitos pesquisadores tentaram fazer comparações com os rituais de Kànbínà serem uma mistura de fundamentos do Ijesà, Jéjé e até mesmo do Òyó, gerando grande polêmica aos adeptos do Batuque. Diversos debates acalorados até mesmo no Orkut levantaram grandes contradições, costumes, idioma falado e fundamentos cultuados por Kànbínà, mas ao pesquisar esse assunto com Sacerdotes diretos da Àfrica, me relataram que Kabinda não é um lado Yorùbá, nem Jéjé, tão pouco uma Nação, é um local de Angola onde habitam várias Nações, entre elas os Bakongo (Congos) e Mayombe como grupos mais destacados, sendo todos de origens e crenças Bantús, que na verdade rendem culto aos Bakisi (Nkisi), pois a Kànbínà do Batuque Sulino cultua todos os Òrìsà do panteão Yorùbá, mas deixo uma pergunta no ar: Por quê antigamente chamava-se Kànbínà? Será que os antigos não deixaram esse fundamento? Será que os antigos tiveram dificuldades em preservar fundamentos?
            Gerando mais polêmica ainda, relatos direto da África deixam claramente que o nome correto é “Kànbínà” e não se deve escrever “Kabinda”, pois seu nome deriva da palavra Yorùbá “Òkànbí + ònà” que traduzido ficaria (O caminho de Òkànbí), a primeira vogal “O” não se escreve, nem tão pouco é pronunciada. Kànbínà faz referência aos seguidores do culto dos Reis de Òyó, levando Òkànbí a posição do primeiro Rei de Òyó, devido a escrituras onde relatam que:
“Odùduwà uniu-se a Olókun (Senhor dos Oceanos) assumindo a forma de Obá-Olókun (Rei dos Oceanos), tendo três filhos, Ògún, Ìsèdálè (equivalente a deusa Afrodite) e Òkànbí (deus do fogo). Òkànbí teve sete filhos, dentre eles Òrònmíyòn, que deu continuidade a missão de Odùduwà, na divulgação da Religião dos Orixás, tornando-se o mais famoso dentre todos os filhos por fundar Òyó”.

Nome também de um subgrupo de adoradores fiéis a Sàngó como Òrìsà supremo que também é Rei dentro do Batuque.
         Sendo assim, fica claro que Kànbínà não é Bantú e sim Yorùbá, mais precisamente pertencem a raiz mais antiga do Òyó, sendo uma lástima que os adeptos do lado de Kànbínà, por desconhecer esses fatos, acreditam que tem alguma raiz Bantú e que essa Nação, cujo Rei é Kamuká veio direto da região de Kabinda, onde nunca se ouviu ao menos falar em algum Nkisi Kamuká, mas convido a todos a pesquisarem como Kamùkan, sendo um caminho de Sàngó como tantos outros, mas precisamente um Sàngó cultuado do lado de fora do templo.
       Se analisar bem o sobrenome Barúolofina, encontraremos Barú= (Rei que governou Òyó, muito enérgico e contam lendas que cozinhava inhame com o fogo que saia de suas narinas) + Olófin= (Senhor do Palácio) + Ina= Fogo, ficando “Barú senhor do palácio de fogo”, quem conhece lendas de Sàngó entenderá essa qualidade. Kànbínà é talvez a raiz mais pura e antiga do povo Yorùbá, portanto Kamuká nunca foi nem será um Nkisi e muito menos Bantú.
         De acordo com a crença Yorùbá todos Òrìsà foram em algum momento seres humanos que viveram na terra com exceção de alguns Òrìsà, por essa razão também passaram pela etapa de serem Egúngún até se tornarem Òrìsà, isso aconteceu com Sàngó quando enforcou-se na árvore Ayan, onde seus súditos promoveram seu culto, Kànbínà tem culto direto aos Egúngún devido a cultuar um dos maiores antepassados da Dinastia Yorùbá. Sabendo que a etapa de Eégún vive paralelamente com a de Òrìsà, seguem existindo ambas faces, porque a pessoa está morta, então tem duplo culto: como Eégún e como Òrìsà. Todos Òrìsà com exceção dos Funfun tem caminhos e qualidades de fora do templo, onde trabalham com a feitiçaria, Eégún, Èsù, etc.
      Então todos os Òrìsà podem ser cultuados no lado de fora do Ilé, menos Òsà-nlá. Isso é comprovado no odù Oyekú Mejì me passado pelo Aworísà Omotobàtálá:
Quando os Òrìsà vieram ao mundo, chovia muito, então ao chegar foram improvisados abrigos aos Òrìsà para lhes acolherem, Bàrà se escondeu em uma cabana de palha na entrada da cidade, onde habitariam os demais Òrìsà, Ògún foi para baixo das árvores no mato, Oya se escondeu no bambuzal, Sànpónnà com suas folhas da palmeira improvisou uma cabana e assim os demais Òrìsà, menos Òsànlá que seguindo o conselho que haviam dado os Bàbálawo celestiais, seguiu caminhando lentamente baixo de chuva até chegar no povoado. Ali, como foi o primeiro a chegar, todos pensaram que deviam ser ele o mais poderoso de todos os Òrìsà e o líder, lhe receberam com festejos e lhe deram roupas brancas para secar-se e construíram uma casa para ele.
        Por isto Òsànlá é o único Òrìsà que realmente deve viver dentro de casa, o restante pode ser cultuado do lado de fora do templo. 
Convidamos aos amigos estudiosos, pesquisadores, historiadores para que pesquisem a origem do nome "Gululu", nome este que acreditam alguns adeptos que trouxe a  Kànbínà de regiões Bantús e ensinou Waldemar dos Santos (Patriarca da nossa nação no RS). Procurem o estudo do nome mencionado, onde se encaixaria no idioma Kimbundo e ou Kikongo e depois tentem dar o entendimento dele no idioma Yorùbá, como procurando em dicionários: Gu, Gú, Gù + lu, lú, lù.


[1] Escritor Paulo Tadeu Barbosa menciona que a origem da palavra Kabinda vem de uma região Bantú e que cambina seria uma dança folclórica, conforme seu livro intitulado “Orixá Bará” – 2006, Porto Alegre, Editora Toquí.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Ọlọ́run Edição n° 05 (Kabinda ou Kànbí'nà no RS)

Pessoal,
Saiu a 5ª Edição da revista Olórun recheada de informações que são de suma importância para o crescimento das religiões de Matriz Africana.
Não perca, pois nesta edição traz um assunto que vem causando polêmica através dos anos para o Batuque Afro-Sul, onde tivemos o previlégio de nos deparar com o trabalho de pesquisas do amigo Erick Wolff que ao meu ver só engrandece nosso culto!
Obrigado Erick pelo trabalho de pesquisas que efetuou referente a minha Raíz Religiosa "Kànbí'nà"



http://www.olorun.com.br/site1/magazines.html?view=magazine_more&id=23&b=1







A 05º Edição da Magazine On Line Ọlórun, foi criada para difundir gratuitamente o saber, através da internet poderemos atingir a Tradicional Família Afro-brasileira, levando conceitos, informação, tradição, cultura e o mais importante, "uma gota", para a formação do um “Bom Caráter”.

Desejamos que a 5° edição, possa ajudar nos estudos e a orientar, o neófito e o sacerdote em sua caminhada pela luz, para isso contamos com diversas fontes e culturas, para criar uma revista com a personalidade brasileira.

Que nossos filhos, cuidem daquilo que plantamos nesta terra, que eles nos representem com honra e dignidade

Boa leitura

Redator- Erick Woff∞